Decoding Radiohead

Assim como rolou depois do OK Computer, todos esperam um novo In Rainbows.
Eu não esperava. Imaginava que eles levarão mais cerca de 10 anos para lançar outro álbum genial. Estava pronta para o primeiro de vários álbuns de transição.

Quando ouvi The King of Limbs pela primeira vez, percebi como as primeiras 4 músicas tinham a mesma linha “Kid A” e as 4 últimas não. Imaginei que fosse proposital, pensando na versão em vinil: 8 faixas. Lado A, 4 faixas de uma coisa, Lado B, 4 faixas de algo completamente diferente.

Ontem estava concentrada no meu trabalho e ouvindo o álbum pelo zilionésima vez em uma semana. Como tenho a estranha habilidade de pensar em mil coisas simultaneamente, um dos meus pensamentos foi “esse disco seria muito melhor com uma seqüência diferente, como eles puderam ser tão desleixados?”. Desleixados nada. Lembrei dessa história toda de álbum-conceito newspaper, todo o papo de que uma música tem ligação com a outra… Só que isso não se percebia no álbum que eu estava ouvindo. Parecia pura balela.

Pois na hora liguei dois e dois e pensei que a sequência do álbum divulgado em mp3 traria a sequência encriptada do álbum físico (que ainda não foi divulgada, e o lançamento vai ser só em maio). Pô, uma das músicas até se
chama CODEX, pelamordedeus!

Foi como uma maçã que caiu na minha cabeça! Aí bolei essa teoria. Mesmo ao acaso, tudo se encaixou como um quebra-cabeças. Mesmo estando semi-aposentada do mundo da música, sempre vou ter o sexto sentido musical. Isso deu uma mãozinha.

A grande diferença entre o álbum em MP3 e wmv e o disco que vai ser lançado em maio é a seqüência das faixas. Toda essa coisa de “newspaper álbum” é a grande jogada de marketing da vez. A última foi o “pague quanto quiser”.

Mas o importante é que o resultado dessa seqüência me surpreendeu. Músicas que me irritaram antes tomaram outra forma, e finalmente senti a tal conexão entre as músicas que eles falaram antes. Tudo fez sentido. Elementar, meu caro Watson!

Só estou compartilhando isso porque esse mistério do conceito newspaper album deixou muita gente com a pulga atrás da orelha. Não é o novo Thick as a Brick do Jethro Tull, que vem com jornalzinho no encarte. Pra variar, eles foram além. Outra evidência é que o Thom Yorke também é designer. Aliás, é o autor de todas as capas de álbuns do Radiohead, que ele assina sob um pseudônimo. Aí que essa loucura toda faz mais sentido ainda pra mim, que trabalho nisso!

Bem, essa é só uma teoria. Mesmo se for furada, só vou ouvir o King of Limbs nessa seqüência. É perfeita e irretocável. Tá aí um infográfico simples que montei tentando explicar como cheguei nessa sequência.

Meu recado pra quem perder tempo fazendo isso é… enjoy!

#Tô gata? Tô pirando muito na batatinha?

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13 Respostas para “Decoding Radiohead

  1. mas me diga lá uma coisa, quem tá falando dessa história de “newspaper album”? não entrei no site da banda, e não estou mto por dentro – como já comentei com vc – mas não vi nada em lugar nenhum falando sobre esse papo de newspaper. só queria mesmo saber de onde saiu isso. porque , afinal, esse foi o elemento-chave para a estruturação da sua teoria, e os mais leigos ou menos antenados como eu estão boiando amiga. explica isso aí direito faz favor. 😉

    • Por mim, não importa se é piração da Ana ou não (na real eu acho que é, hahah). Acho uma puta idéia legal e já ouvi álbums na ordem “errada” que ficaram muuuito mais legais do que os originais. Eu lembro q há mto tempo, tipo 2002, eu gravei um CDR do cd do Enon, “High Society”, na ordem errada, porque os MP3s tavam embaralhados. Amava esse álbum.
      Só descobri a ordem errada tipo 2 anos depois, e ouvi na “correta” e achei muito chato! O disco agora abria com um monte de música pesada e depois ficava todo bobo e viajado. A minha versão tinha uma mistura mais “sillious”.
      Enfim. Se a experiência for legal, topo a viagem da Ana, hahah.

      • Ontem fazia sentido, mas hoje já estou achando que é piração hahaha Mas uma piração que funciona! Sei lá, eu sou extremamente obsessiva com seqüências de discos. Ouço vários com a seqüencia alterada, especialmente meus álbuns favoritos.

        Meu, eu fico até hoje tentando lembrar a sequência daquele disco do Enon!!! Nunca mais! Dá vontade de voltar no tempo, anotar a a sequência e voltar para o futuro!

    • Então! O Radiohead está divulgando que será o primeiro Newspaper Album já feito. Aí geral tá achando que a arte do encarte vai ser em formato de jornal. Mas só que várias bandas já fizeram isso, como o Jethro Tull que citei no post. Acho que é uma pegadinha, pq eles estão sempre inventando uma historia nova para aumentar a experiencia do disco (já que hoje qualquer um baixa os mp3, eles colocam um monte de coisa junto com o disco físico como dois vinis, o cd, um poster, peças de arte…)
      E de acordo com a minha teoria sequencias de faixas para
      decodificar!

  2. Pingback: The King of Limbs: Newspaper-album ou codex? - Trabalho Sujo - OESQUEMA

  3. Fellipe

    Não sei se é piração ou não sua. rs…
    Mas dessa forma ficou um disco muito mais equilibrado. Com um ritmo até que parecido com o In Rainbows.

    O engraçado é que mesmo nessa ordem o zumbido do final da ‘Codex’ continua sendo o mesmo zumbido do início de ‘Give up the Ghost’. Assim como na ordem “original”.

    Bom, vamos ter que esperar o lançamento da versão física pra ver então!

  4. João Renato Faria

    Parece que eu estou ouvindo outro disco. Impressionante

  5. João Renato Faria

    E essa sacada do barulho no final de Codex e início de Give up the ghost é real!

  6. Pingback: A Ana pirou na batatinha (mas ficou legal) « Solta o Pause!!!

  7. Assim que eu terminei de ler, tive CERTEZA ABSOLUTA de que você está certa. Mandou muito bem no insight.

  8. Pingback: Decifrando o “Newspaper Album Concept” » CrisDias weblog

  9. Les

    Ana, adorei a teoria, vou publicar a matéria do Trabalho Sujo no meu blog sobre o Thom Yorke OK? Abs!

    http://thomyorkebr.webs.com/

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Uma publicitária/musicista fica solteira pela primeira vez, aos 26 anos. Meu nome é Ana e praticamente engatei um relacionamento sério no outro desde os 14 anos. O Código de Conduta da Solteirice é totalmente desconhecido para mim. Por conta disso, me pego em situações completamente surreais e (tragi)cômicas para aprender a viver em um universo totalmente inexplorado. Sou uma Bridget Jones às avessas. NÃO ESTOU "NO MERCADO". NÃO ESTOU ATRÁS DE HOMEM.

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